De frente para um sofá vermelho. Uma luz à esquerda.
- Ideal. Eu desejo um ideal? Uma fuga, até mesmo dentro de padrões óbvios, a liberdade, o riso fácil.
Um suspiro e a voz alta.
- Que porra de ideal é essa?
Um copo de água mais tarde.
- É ideal? Eu desejo um ideal? Um sentido para aqueles momentos de sanidade. Aqueles poucos que, durante o dia, perturbam o silêncio de uma série de pensamentos lineares. Aqueles que entram por um lado, saem pelo outro e. Nada. Um sentido para os momentos. Mesmo para os quase sem sentido. Não é ideal.
Não é.
- Eu desejo um ideal? É só sentido. Caminho. Um mesmo sentido. Um reflexo conhecido nos olhos a frente. Um abrigo. Passos que se acompanham. Não é ideal. Trata-se, apenas, de um sentido. É meu ideal, entende? Não é perfeição. É riso fácil. Fácil. É sentir-se parte de algo. Entende? Não é ideal. Puta que pariu.
Outro copo de água.
- Para onde caminhamos? Não é ideal. É um sentido. Na concessão há limite? Eu acho que há. Não entende? Não entende que há limite? Há um limite. Porra.
(...)
Ideal. O que eu ainda posso retirar? É real? É justo? Há justiça nos sentimentos?
Nunca há justiça no riso fácil.
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quinta-feira, 1 de julho de 2010
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Quem quer saber?
Mesmo quando tudo pede um pouco mais calma, sigo esbarrando em grossos ombros criados por uma urgência de vida. Uma urgência que desaparece e vem à tona, num movimento ondulatório mais freqüente do que o planejado.
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma, os dias não esperam, não me esperam. Espero do mundo um pouco mais de paciência, só um pouco mais. Mas a vida não espera, não desacelera. E dela tiro pouco. Pouco a pouco.
Eu me recuso, faço hora, vou na valsa. Vou numa dança particular, movimentos espontâneos. Queria eu tê-los ensaiado um pouco mais.
Mas a vida não pára. Retira meus segundos delirantes, os transforma em loucuras declaradas de uma mente não tão fantástica.
Enquanto todos esperam a cura do mal e a loucura finge que isso tudo é normal, eu grito, o corpo berra em mais uma certeza sem validade.
Será que tenho esse tempo pra perder?
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma, os dias não esperam, não me esperam. Espero do mundo um pouco mais de paciência, só um pouco mais. Mas a vida não espera, não desacelera. E dela tiro pouco. Pouco a pouco.
Eu me recuso, faço hora, vou na valsa. Vou numa dança particular, movimentos espontâneos. Queria eu tê-los ensaiado um pouco mais.
Mas a vida não pára. Retira meus segundos delirantes, os transforma em loucuras declaradas de uma mente não tão fantástica.
Enquanto todos esperam a cura do mal e a loucura finge que isso tudo é normal, eu grito, o corpo berra em mais uma certeza sem validade.
Será que tenho esse tempo pra perder?
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Um dia, ao olhar para trás, somos supreendidos pelo acumulo de experiências. Aos vinte e poucos anos, com uma história um tanto variada, percebi-me analisando antigos relacionamentos. O que retiramos de vivências boas e ruins e carregamos vida afora?
O que de nós é nosso mesmo e o que adquirimos do outro?
Uma aliança. AC/DC. Muito prazer, eu sou apaixonada por você. A lua, eu, você. Tears in Heaven. Santa Chuva. Paciência. Escuta! Escuta o som do baixo. Cai fora. Namora comigo?. Aluguei um quarto pra gente. Motel. Tenho uma surpresa. Sou virgem. Diálogos podem não ter fim. Eu te amo. Eu quero tentar com ela. Posso dizer que você é minha namorada?. Paris, ah, Paris. Tenho medo de pensar no futuro. Dorme comigo hoje?. Não sei se quero ficar com você. Eu era virgem. Coisa rara. Me empresta seu vestido?. Você não tá com frio?. Você trouxe a cor de volta. Adeus.
O que de nós é nosso mesmo e o que adquirimos do outro?
Uma aliança. AC/DC. Muito prazer, eu sou apaixonada por você. A lua, eu, você. Tears in Heaven. Santa Chuva. Paciência. Escuta! Escuta o som do baixo. Cai fora. Namora comigo?. Aluguei um quarto pra gente. Motel. Tenho uma surpresa. Sou virgem. Diálogos podem não ter fim. Eu te amo. Eu quero tentar com ela. Posso dizer que você é minha namorada?. Paris, ah, Paris. Tenho medo de pensar no futuro. Dorme comigo hoje?. Não sei se quero ficar com você. Eu era virgem. Coisa rara. Me empresta seu vestido?. Você não tá com frio?. Você trouxe a cor de volta. Adeus.
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
sábado, 26 de abril de 2008
Um pouco mais de hoje.
Numa ciranda a vida se dá.
Escorrem as vontades, desejos, sonhos mal contados.
Como uma pilha torta de livros, uma história acumula-se sobre outra.
E outra, outra, outra.
Um pouco lobo, um pouco cordeiro, crio e destruo minhas próprias ilusões.
Sinto-me mais humana do que antes.
A mim, cabem papéis diferentes. Hoje sou uma louca, abandonada pelo único amor, trancada num pequeno porão empoeirado. Amanhã, um guerreiro viril a lançar flechas em nome de Apolo. Um dia, cabe-me apenas o papel de pedra, muda, a espreita-te em uma esquina qualquer, a incomodar teu caminho ou a apertar-te o sapato. Outro, encarno a protagonista de uma existência amoral.
Hoje, sinto-me mais humana do que ontem.
Concebo e aborto meu próprio romantismo.
Escorrem as vontades, desejos, sonhos mal contados.
Como uma pilha torta de livros, uma história acumula-se sobre outra.
E outra, outra, outra.
Um pouco lobo, um pouco cordeiro, crio e destruo minhas próprias ilusões.
Sinto-me mais humana do que antes.
A mim, cabem papéis diferentes. Hoje sou uma louca, abandonada pelo único amor, trancada num pequeno porão empoeirado. Amanhã, um guerreiro viril a lançar flechas em nome de Apolo. Um dia, cabe-me apenas o papel de pedra, muda, a espreita-te em uma esquina qualquer, a incomodar teu caminho ou a apertar-te o sapato. Outro, encarno a protagonista de uma existência amoral.
Hoje, sinto-me mais humana do que ontem.
Concebo e aborto meu próprio romantismo.
segunda-feira, 6 de agosto de 2007
Vamos varrer juntos?

Tanto tempo depois, lembro dos motivos que fizeram-me começar a publicar textos aqui.
Hoje, falta sentido. Alguns meses depois, tantos fatos depois, tantas pessoas, cenas. Tantos beijos, brigas. Tanto sexo, tantas refeições (sim, comida e sexo devem sempre vir juntas). Tanto depois. Tanto.
Tenho a súbita impressão que devo mudar. O lado que gosto, devo mudar. O lado que mudou, devo gostar. Devo gostar de mudar e mudar ao meu gosto. Ou mudar ao gosto do outro. Ou ainda gostar que os outros me mudem. Gostar que o meio me mude. Deixar que o meio me mude. Gosto, mas não sei se devo gostar.
Ah.
Idas e vindas. Voltas e revoltas, retornos. Vai-e-vem. A alma pede para mudar, mudar e mudar. As coisas andam confusas. Para variar, nada. Inquieta, sempre inquieta.
Hoje, falta sentido. Alguns meses depois, tantos fatos depois, tantas pessoas, cenas. Tantos beijos, brigas. Tanto sexo, tantas refeições (sim, comida e sexo devem sempre vir juntas). Tanto depois. Tanto.
Tenho a súbita impressão que devo mudar. O lado que gosto, devo mudar. O lado que mudou, devo gostar. Devo gostar de mudar e mudar ao meu gosto. Ou mudar ao gosto do outro. Ou ainda gostar que os outros me mudem. Gostar que o meio me mude. Deixar que o meio me mude. Gosto, mas não sei se devo gostar.
Ah.
Idas e vindas. Voltas e revoltas, retornos. Vai-e-vem. A alma pede para mudar, mudar e mudar. As coisas andam confusas. Para variar, nada. Inquieta, sempre inquieta.
quinta-feira, 17 de maio de 2007
A viagem que é viver só
A gana por viver atropela os próprios sentimentos. A vontade reflete a simulação de um arco-íris, somente o reflexo de algo que está prestes a mudar.
Hoje, minha sede é mais seca. Só posso parar, olhar para o lado e assistir aos desejos que parecem escorrer, caminhar pelo canto da rua e terminar em um bueiro escuro.
Hoje, o arranhão dói mais.Apenas cruzo as pernas na tentativa de provar algo que não tenho certeza. Algo estampado nos olhares, na palma da mão, no som alternado das correntes da cigana.
O real apresenta-se duro, nu e cru.
As verdades borbulham ao meu lado. Todas juntas. Permanecer sã é tarefa impossível.
Hoje, minha sede é mais seca. Só posso parar, olhar para o lado e assistir aos desejos que parecem escorrer, caminhar pelo canto da rua e terminar em um bueiro escuro.
Hoje, o arranhão dói mais.Apenas cruzo as pernas na tentativa de provar algo que não tenho certeza. Algo estampado nos olhares, na palma da mão, no som alternado das correntes da cigana.
O real apresenta-se duro, nu e cru.
As verdades borbulham ao meu lado. Todas juntas. Permanecer sã é tarefa impossível.
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