segunda-feira, 17 de maio de 2010

De perceber-se

//Madeira maciça, daquelas antigas, uma maçaneta girando, um último olhar. Aquela cena nunca saiu daqui. Uma última cena, um último adeus, o último olhar de dias intensos, saborosos. E aquela cena volta, voltou por anos. Voltou frente aos olhos, o cérebro recriando cada detalhe. E aquela cena não se despede. Lembro-me pouco dos minutos seguintes, apenas segurei a concentração naquela última cena, um enquadramento perfeito, a luz, os olhos negros e cheios de luz. Os cabelos nas costas, o tremor. Lembro pouco dos sentidos. Lembro da maçaneta fria, lembro do chão frio. Mas o que não se despede são aquelas costas, aquele último olhar, aquele corpo que sumia no fim do corredor escuro e que nunca mais voltou. Aquele corpo nunca mais voltou, a cena que jamais formalizou uma despedida. A cena sempre volta. Aquele último adeus sempre voltou/ E, hoje, não sei ainda se felizmente, compreendi. Complicada é a vida de quem compreende que não há culpa a apontar. Em poucos minutos, compreendo que o amor pode, sim, ser passageiro. O amor é mais delicado e pode se desfazer, esfarelar. Assim como tudo que é sólido pode, sim, desmanchar no ar/ Existe coragem em segurá-lo? Ou corajosos são aqueles que encaram a ideia de que tudo pode evaporar, assim, de uma hora para outra?/ Fechei os olhos e, por um momento, senti-me um tanto mais velha. Compreender envelhece. Compreender o desamor de uma lembrança é revelador, mas envelhece.//

Foto: Aimee

3 comentários:

Biia *¨*¨* disse...

Adoreii o blog
Parabéns !!
gostaria da sua opnião em meu novo blog : http://gossipnoow.blogspot.com/
de seu comentario !

Parabéns !!

Laurinha disse...

compreender envelhece.


fato.

Anônimo disse...

eu comprei um macacãozinho vermelho com a gola branca (e outro com a gola de bolinha) mt parecido com esse vestido da foto.

quem sou eu? haha

saudade!