Ainda existe um pouco aqui dentro. Um pouco daquilo que sufoca. Um pouco daquilo que expande e parece rasgar fibra a fibra das camadas de pele.
Ainda sobra a falta de sentido. Sobra a falta de respostas, sobra a vontade de saber para qual dos lados virar o rosto.
Ainda sobram sorrisos guardados, sobram palavras. Ah, sobram tantas letras espremidas em pouco espaço.
Ainda sobram olhares, provocações. Sobra algo seco. Sobram alguns cheiros.
Ainda sobra algo que confunde os sentidos. Que altera as direções, o curso. Retira as placas do lugar. Sobra algo que altera a saída. Algo que ofusca a visão.
Sobram alguns discos, poucas cores.
Silencio minha voz, o contato para entender. Para buscar uma explicação, respostas. Assisto cena a cena da minha existência. Assisto fatos, fotos, a falta de seqüência lógica, a não-linearidade.
Vivo conseqüências de comportamentos inevitáveis para alguém como eu.
Rasgam minha pele com julgamentos verdadeiros, acusações nascidas de essências diferentes da minha. Mas, ainda sim, verdadeiras.
Vivo a resposta burocrata de quem não vive meus segundos petulantes.
Inconstante, inconseqüente, oscilante. Metamorfoses.
Absorvam a totalidade das verdades tristes e absolutas como queiram. Mas não me amolem. Hoje não.
domingo, 30 de setembro de 2007
quinta-feira, 27 de setembro de 2007
O amor é um móbile.
O amor não é orgânico. Não é meu coração que sente o amor. É minha alma que o saboreia. Não é no meu sangue que ele ferve. O amor faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito. Sua força se mistura com a minha, e nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu como se fossem novas estrelas recém-nascidas. O amor brilha. Como uma aurora colorida e misteriosa. Como um crepúsculo inundado de beleza e despedida. O amor grita seu silêncio e nos dá a sua música. Nós dançamos sua felicidade em delírio porque somos alimento preferido do amor. Se estivemos também a devorá-lo. O amor, eu não conheço. E é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo. Me aventurando ao seu encontro. A vida só existe quando o amor navega. Morrer de amor é a substância de que a vida é feita. Ou melhor, só se vive no amor. E a língua do amor é a língua que eu falo e escuto.
Morrer de amor é a substância de que a vida é feita. Isso resume muitos e cansativos discursos. Adeus. Uma madrugada etílica me aguarda.
(Vênus - Moska)
Morrer de amor é a substância de que a vida é feita. Isso resume muitos e cansativos discursos. Adeus. Uma madrugada etílica me aguarda.
(Vênus - Moska)
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
Agonia
Olhava para as unhas curtas e escuras. O esmalte um pouco gasto, as mãos trêmulas, um hematoma perto do pulso.
Era como se o mundo estivesse cobrando cada minuto de prazer concedido. Ela sentia o peso sobre seu corpo frágil pela falta de alimento, de sono, pelo excesso de fumaça.
Aos ouvidos, as mesmas notas melancólicas. Ela contorcia as pernas, sentia os lábios secos. Algo doía.
***
Quero os momentos passados.
Quero os segundos irreais, o peito com mais ar, a respiração ofegante e o sorriso fácil.
Quero algo que doa menos, uma anestesia, uma insanidade inconseqüente.
Quero sentir menos. Lembrar menos.
***
A gente colhe o que planta. O fruto nem sempre nasce como imaginamos, mas ele ainda é o resultado do que um dia foi apenas semente. Um pensamento. Ou a falta dele.
***
Silencio-me na esperança de um segundo a mais. Fecho a porta, confesso meu medo. E espero.
Era como se o mundo estivesse cobrando cada minuto de prazer concedido. Ela sentia o peso sobre seu corpo frágil pela falta de alimento, de sono, pelo excesso de fumaça.
Aos ouvidos, as mesmas notas melancólicas. Ela contorcia as pernas, sentia os lábios secos. Algo doía.
***
Quero os momentos passados.
Quero os segundos irreais, o peito com mais ar, a respiração ofegante e o sorriso fácil.
Quero algo que doa menos, uma anestesia, uma insanidade inconseqüente.
Quero sentir menos. Lembrar menos.
***
A gente colhe o que planta. O fruto nem sempre nasce como imaginamos, mas ele ainda é o resultado do que um dia foi apenas semente. Um pensamento. Ou a falta dele.
***
Silencio-me na esperança de um segundo a mais. Fecho a porta, confesso meu medo. E espero.
segunda-feira, 10 de setembro de 2007
Se puder sem medo. Não posso.
Deixa em cima desta mesa a foto que eu gostava
Pr'eu pensar que o teu sorriso envelheceu comigo
(lembranças atormentam imagens que brotam durante a fria madrugada)
Deixa eu ter a tua mão mais uma vez na minha
Pra que eu fotografe assim meu verdadeiro abrigo
(casa do contentamento, do leve toque, da certeza do melhor minuto da existência)
Deixa a luz do quarto acesa a porta entreaberta
O lençol amarrotado mesmo que vazio
(sobra tanta falta, falta tanto ar)
Deixa a toalha na mesa e a comida pronta
Só na minha voz não mexa eu mesmo silencio
(minha voz não silencia, grita para que meu pensamento fique branco)
Deixa o coração falar o que eu calei um dia (cedo demais)
Deixa a casa sem barulho achando que ainda é cedo (um silêncio ensurdecedor)
Deixa o nosso amor morrer sem graça e sem poesia (sem o que você nunca pôde provar)
Deixa tudo como está e se puder, sem medo (sem lágrimas)
Deixa tudo que lembrar eu finjo que esqueço (prometo fingir indiferença)
Deixa e quando não voltar eu finjo que não importa (adeus)
Deixa eu ver se me recordo uma frase de efeito (palavras que engasgam na garganta)
Pra dizer te vendo ir fechando atrás da porta (o último trinco, a última chave)
Deixa o que não for urgente que eu ainda preciso (devolva um parte do ar que você levou)
Deixa o meu olhar doente pousado na mesa (choroso, sem piedade)
Deixa ali teu endereço qualquer coisa aviso (rasgo, apago tuas cores)
Deixa o que fingiu levar mas deixou de surpresa (para que a dor doa, doa mais)
Deixa eu chorar como nunca fui capaz contigo (como você pode imaginar, sozinha num canto)
Deixa eu enfrentar a insônia como gente grande (olhos grandes ao olhar para as luzes da rua)
Deixa ao menos uma vez eu fingir que consigo (preciso)
Se o adeus demora a dor no coração se expande (cresce, escorre pelo corpo)
Deixa o disco na vitrola pr'eu pensar que é festa (achar que o telefone tocará)
Deixa a gaveta trancada pr'eu não ver tua ausência (que machuca a cada tom)
Deixa a minha insanidade é tudo que me resta (com ela consigo andar)
Deixa eu por à prova toda minha resistência (contra tua covardia)
Deixa eu confessar meu medo do claro e do escuro (da ambiguidade de teus olhares)
Deixa eu contar que era farsa minha voz tranqüila (meu sorriso)
Deixa pendurada a calça de brim desbotado
Que como esse nosso amor ao menor vento oscila (a certeza se esvai)
Deixa eu sonhar que você não tem nenhuma pressa (pressa de dizer que não fui tua)
Deixa um último recado na casa vizinha (não quero ouvir)
Deixa de sofisma e vamos ao que interessa (ao fim)
Deixa a dor que eu lhe causei agora é toda minha (que não se despede)
Deixa tudo que eu não disse mas você sabia (é só ler o que sinto)
Deixa o que você calou e eu tanto precisava (palavras, só palavras)
Deixa o que era inexistente e eu pensei que havia (acreditei como nunca antes)
Deixa tudo o que eu pedia mas pensei que dava (deixa eu ser o que sempre quis ser)
Deixa minha emoção sucumbir... aos poucos, escorrer por entre os dedos, cair e evaporar. Quem sabe amanhã?
Adeus.
Se puder sem medo (Oswaldo Montenegro) com intervenções petulantes.
Pr'eu pensar que o teu sorriso envelheceu comigo
(lembranças atormentam imagens que brotam durante a fria madrugada)
Deixa eu ter a tua mão mais uma vez na minha
Pra que eu fotografe assim meu verdadeiro abrigo
(casa do contentamento, do leve toque, da certeza do melhor minuto da existência)
Deixa a luz do quarto acesa a porta entreaberta
O lençol amarrotado mesmo que vazio
(sobra tanta falta, falta tanto ar)
Deixa a toalha na mesa e a comida pronta
Só na minha voz não mexa eu mesmo silencio
(minha voz não silencia, grita para que meu pensamento fique branco)
Deixa o coração falar o que eu calei um dia (cedo demais)
Deixa a casa sem barulho achando que ainda é cedo (um silêncio ensurdecedor)
Deixa o nosso amor morrer sem graça e sem poesia (sem o que você nunca pôde provar)
Deixa tudo como está e se puder, sem medo (sem lágrimas)
Deixa tudo que lembrar eu finjo que esqueço (prometo fingir indiferença)
Deixa e quando não voltar eu finjo que não importa (adeus)
Deixa eu ver se me recordo uma frase de efeito (palavras que engasgam na garganta)
Pra dizer te vendo ir fechando atrás da porta (o último trinco, a última chave)
Deixa o que não for urgente que eu ainda preciso (devolva um parte do ar que você levou)
Deixa o meu olhar doente pousado na mesa (choroso, sem piedade)
Deixa ali teu endereço qualquer coisa aviso (rasgo, apago tuas cores)
Deixa o que fingiu levar mas deixou de surpresa (para que a dor doa, doa mais)
Deixa eu chorar como nunca fui capaz contigo (como você pode imaginar, sozinha num canto)
Deixa eu enfrentar a insônia como gente grande (olhos grandes ao olhar para as luzes da rua)
Deixa ao menos uma vez eu fingir que consigo (preciso)
Se o adeus demora a dor no coração se expande (cresce, escorre pelo corpo)
Deixa o disco na vitrola pr'eu pensar que é festa (achar que o telefone tocará)
Deixa a gaveta trancada pr'eu não ver tua ausência (que machuca a cada tom)
Deixa a minha insanidade é tudo que me resta (com ela consigo andar)
Deixa eu por à prova toda minha resistência (contra tua covardia)
Deixa eu confessar meu medo do claro e do escuro (da ambiguidade de teus olhares)
Deixa eu contar que era farsa minha voz tranqüila (meu sorriso)
Deixa pendurada a calça de brim desbotado
Que como esse nosso amor ao menor vento oscila (a certeza se esvai)
Deixa eu sonhar que você não tem nenhuma pressa (pressa de dizer que não fui tua)
Deixa um último recado na casa vizinha (não quero ouvir)
Deixa de sofisma e vamos ao que interessa (ao fim)
Deixa a dor que eu lhe causei agora é toda minha (que não se despede)
Deixa tudo que eu não disse mas você sabia (é só ler o que sinto)
Deixa o que você calou e eu tanto precisava (palavras, só palavras)
Deixa o que era inexistente e eu pensei que havia (acreditei como nunca antes)
Deixa tudo o que eu pedia mas pensei que dava (deixa eu ser o que sempre quis ser)
Deixa minha emoção sucumbir... aos poucos, escorrer por entre os dedos, cair e evaporar. Quem sabe amanhã?
Adeus.
Se puder sem medo (Oswaldo Montenegro) com intervenções petulantes.
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
E assim a existência vai passando... e se a gente olha para trás, perde o segundo decisivo e dá com a cara no poste que aguarda os sonhadores a cada esquina.
Eita vida vadia.
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
E assim a existência vai passando... e se a gente olha para trás, perde o segundo decisivo e dá com a cara no poste que aguarda os sonhadores a cada esquina.
Eita vida vadia.
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