domingo, 30 de setembro de 2007

Inexistir.

Ainda existe um pouco aqui dentro. Um pouco daquilo que sufoca. Um pouco daquilo que expande e parece rasgar fibra a fibra das camadas de pele.
Ainda sobra a falta de sentido. Sobra a falta de respostas, sobra a vontade de saber para qual dos lados virar o rosto.
Ainda sobram sorrisos guardados, sobram palavras. Ah, sobram tantas letras espremidas em pouco espaço.
Ainda sobram olhares, provocações. Sobra algo seco. Sobram alguns cheiros.
Ainda sobra algo que confunde os sentidos. Que altera as direções, o curso. Retira as placas do lugar. Sobra algo que altera a saída. Algo que ofusca a visão.
Sobram alguns discos, poucas cores.

Silencio minha voz, o contato para entender. Para buscar uma explicação, respostas. Assisto cena a cena da minha existência. Assisto fatos, fotos, a falta de seqüência lógica, a não-linearidade.
Vivo conseqüências de comportamentos inevitáveis para alguém como eu.
Rasgam minha pele com julgamentos verdadeiros, acusações nascidas de essências diferentes da minha. Mas, ainda sim, verdadeiras.
Vivo a resposta burocrata de quem não vive meus segundos petulantes.

Inconstante, inconseqüente, oscilante. Metamorfoses.
Absorvam a totalidade das verdades tristes e absolutas como queiram. Mas não me amolem. Hoje não.

3 comentários:

Cecília disse...

cof.

Cecília II disse...

De tudo ficou um pouco
Do meu medo. Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa
ficou um pouco

Ficou um pouco de luz
captada no chapéu.
Nos olhos do rufião
de ternura ficou um pouco
(muito pouco).

Pouco ficou deste pó
de que teu branco sapato
se cobriu. Ficaram poucas
roupas, poucos véus rotos
pouco, pouco, muito pouco.

Mas de tudo fica um pouco.
Da ponte bombardeada,
de duas folhas de grama,
do maço
- vazio - de cigarros, ficou um pouco.

Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.

Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.

Um dos poemas mais lindos que já li, para uma das pessoas mais lindas que o mundo me ofereceu. Clichê de segunda feira, perdoe-me.

Cadeira. disse...

Dá pra voltar a postar ou tá difícil?