quarta-feira, 4 de abril de 2007

Impressiono-me como nos deixamos levar pelo dia-a-dia. Maldito termo criado por pessoas para resumir as dolorosas atividades da realidade. Dolorosas sim. E não me venha com frases otimistas.
Passei alguns dias a observar o comportamento de certos seres, que rodeiam minha existência. A observar como discussões, decepções e derivados esfriam qualquer alma um pouco mais sensível.
Não sabe como destruir a inspiração de poeta? Tire o lápis de sua mão e o coloque (o poeta, não o lápis) atrás de um balcão por 8, 10 horas por dia durante 6 dias por semana. Quer acabar com a criatividade, com a sensibilidade de um artista? Mostre as contas que surgem todas as manhãs na caixa do correio.
O cotidiano nos mata, segundo a segundo. Devora as paredes do estômago com gastrites nervosas, desregula o relógio biológico com insônias intermináveis, enfraquece a imunidade com doenças criadas pelo cérebro. Doenças modernas, como dizem por aí.
O cotidiano arranca cada fiapo da emoção. Retira o sentido da paixão, apaga datas, lembranças, nos torna um pouco mais individual. A cada minuto, um pouquinho menos humano.

3 comentários:

laurinha disse...

pois é.

todo dia ela faz tudo sempre iguaaaaaaaal.

e o relógio tiquetaqueia.


=]
(palmas à sua volta!)

Cadeira. disse...

"A cada minuto, um pouquinho menos humano"

Talvez uma maneira de ser escutado de dentro pra fora seja a cura para todo o mal que a realidade nos mostra/faz.

Talvez a maneira de se deixar levar pelos sentimentos seja enfraquecida pelos impulsos mundanos.

Talvez toda essa valorização do que é racional tenha acabado com a natureza dos instintos/sentimentos.

Mas eu tenho certeza de que o poeta volta a fazer versos... Plena certeza.

Evertones disse...

MESMO QUE você já esteja postando sem me contar
MESMO QUE eu sinta saudade de te dar um abraço
MESMO QUE eu também sinta saudade de blasfemar com você contra as idiossincrasias e, ou seja, idiotices hipócritas incongruentes da vida
MESMO ASSIM eu vou adicionar seu blog na minha lista de leituras obrigatórias, só pra você saber, rs... saudade, preta véia...