terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Suspiro.

No estar junto que eu te conheço, quente, cálida, de repente, fria. Não sei se você o faz por consciência, ou falta completa dela, mas sei que o faz. Que faz algo vibrar dentro, o sangue passar mais rápido, o olhar sair do eixo. E suspiro, suspiro de forma profunda, um ar que busco em mais uma noite na cidade de todos os sonhos, mais uma noite. Te busco e uma parte quer transformar tudo em papel picado, lavado pela água da quarta-feira cinza, daquela última quarta-feira. Parte até compreende, até te compreendo, e agradece. Obrigada por deixar que tudo floresça, assim, sinto-me, talvez, menos perto de uma pedra. Não ouso derramar uma lágrima sequer: nem por você, nem pela outra, nem por tantas. Nasci assim, como se, constantemente, meus olhos buscassem a estiagem. Pra você, sobra todo amor do mundo e um tanto menos de aconchego a cada dia. Hoje, vejo-te longe, como há muito não via. Há muito você não afastava tuas pernas de mim, teu corpo de mim, teu sono de mim, como fez hoje. Aos poucos, há algo que fere e dói. Hoje, tenho medo de nada ser como antes, de não encontrar mais lugar nas tuas coxas, que também não são mais as mesmas. No teu peito. A ilusão juvenil não se desfaz, mas tua frieza, ainda que pouco perceptível, ainda que dura e inocente, começa a deixar oco o que antes era terno, suspenso e que soava como uma madrugada a vir. Não há mais madrugadas. Pouco reconheço do antes, quando não sabia que eu sabia que era você.

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