Impressiono-me como nos deixamos levar pelo dia-a-dia. Maldito termo criado por pessoas para resumir as dolorosas atividades da realidade. Dolorosas sim. E não me venha com frases otimistas.
Passei alguns dias a observar o comportamento de certos seres, que rodeiam minha existência. A observar como discussões, decepções e derivados esfriam qualquer alma um pouco mais sensível.
Não sabe como destruir a inspiração de poeta? Tire o lápis de sua mão e o coloque (o poeta, não o lápis) atrás de um balcão por 8, 10 horas por dia durante 6 dias por semana. Quer acabar com a criatividade, com a sensibilidade de um artista? Mostre as contas que surgem todas as manhãs na caixa do correio.
O cotidiano nos mata, segundo a segundo. Devora as paredes do estômago com gastrites nervosas, desregula o relógio biológico com insônias intermináveis, enfraquece a imunidade com doenças criadas pelo cérebro. Doenças modernas, como dizem por aí.
O cotidiano arranca cada fiapo da emoção. Retira o sentido da paixão, apaga datas, lembranças, nos torna um pouco mais individual. A cada minuto, um pouquinho menos humano.